terça-feira, 16 de novembro de 2010

IV

Como estás solidão? Os teus cabelos ainda envolvem o aroma que enamora os poetas, as criaturas que o único lugar é em ti, em si mesmos, no precipício da moralidade.
Reservo-te a melhor cadeira da minha mesa, pois já és o convidado habitual.
Não tenho muito a partilhar contigo, a não ser as sucessões de acontecimentos decorridos à momentos atrás. Será? Não são muito interessantes. Diverti-me, ri-me muito, mas não serviram de quase nada. Continuo cansada, agora que o corpo pede mais que a alma. Estas luzes retiram o deleite da tua companhia. São demasiado fortes e artificiais, tal como a maior parte delas em contos e ditos de muitas pessoas.
O risco não corre o risco de se riscar a si próprio. Disseste tu no intervalo da minha conversa. Não sei o que te diga acerca disso. É mais uma brincadeira do que uma frase verdadeira.
Acompanhas-me mais uma vez neste caminho? A noite está bela e fria. Este serão explode de monotonia! Só as pedras se irão queixar.
Estás viva ! Como é bom ter-te aqui comigo ! Nestas palavras tornas-te ainda mais bela. Vejo-te dentro de uma caixinha. O fundo é negro e tem um palco de madeira verdadeira, nunca envernizada. Lá, saltas e danças com o teu alvo vestido e os teus ruivos cabelos.
Desesperas se eu, por momentos, deixar de te contemplar.
Não tens sombra, mas existes.

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