O verdadeiro espectáculo não estava no palco. Nem o verdadeiro actor.
Não havia cortinas.
Mesas e cadeiras. Um fonógrafo e um candeeiro de cristais.
Vestido preto e colar de pérolas.
Uma tragicomédia.
Sala escura.
No banco remexia-se., mudando sempre para uma posição confortável , com o seu rosto nem sempre estático.
Teatral.
Os círculos negros , brilhantes que rodopiavam no fundo alvo dos seus olhos alucinados.
O aprazível tacto que ajudava a satisfazer o seu íntimo desejo carnal.
Palmas, somente as merecidas, fortes e audíveis.
O único capaz de assobiar no fim da máscara do real espectáculo, no meio de senhores fatídicos, que podem chegar ás horas que quiserem, porque têm sempre o seu lugar comodamente reservado.
Os inagualáveis sorrisos marotos que, suavemente, na sua bela face, apareciam.
Seria cansaço? Levantaram-se antes dos pífio e aborrecidos agradecimentos.
Ás vezes apenas com um desvio do olhar, longe da ofuscante luz, pode estar o verdadeiro acto sublime a representar para um público que se torna anónimo.
Atónico.
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