segunda-feira, 10 de maio de 2010

Pantomima

O verdadeiro espectáculo não estava no palco. Nem o verdadeiro actor.


Não havia cortinas.


Mesas e cadeiras. Um fonógrafo e um candeeiro de cristais.

Vestido preto e colar de pérolas.


Uma tragicomédia.


Sala escura.


No banco remexia-se., mudando sempre para uma posição confortável , com o seu rosto nem sempre estático.

Teatral.


Os círculos negros , brilhantes que rodopiavam no fundo alvo dos seus olhos alucinados.

O aprazível tacto que ajudava a satisfazer o seu íntimo desejo carnal.



Palmas, somente as merecidas, fortes e audíveis.

O único capaz de assobiar no fim da máscara do real espectáculo, no meio de senhores fatídicos, que podem chegar ás horas que quiserem, porque têm sempre o seu lugar comodamente reservado.


Os inagualáveis sorrisos marotos que, suavemente, na sua bela face, apareciam.



Seria cansaço? Levantaram-se antes dos pífio e aborrecidos agradecimentos.



Ás vezes apenas com um desvio do olhar, longe da ofuscante luz, pode estar o verdadeiro acto sublime a representar para um público que se torna anónimo.


Atónico.



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